A vida assume-se circunstâncias deveras caricatas! Vejam vocês ilustres convidados de leitura que numa noite onde se reúnem sentimentos em redor de uma mesa farta , o pensamento da solidão me sobressaltou por instantes. Uma solidão passada em redor de mesas fartas de amarguras, ódios e passados rabiscados por circunstâncias pouco claras. Não sou de saudades amargas, embora estas me perturbem com as suas incomodas lembranças, mas sentado a uma mesa farta não resisto ao passado, esse passado presente em silêncios longos, entre a alma e o coração entre a vida que não pedi e ninguém teve a intenção de me oferecer, mas que foi imposta por ambiguidades daqueles que não tendo vida própria se oferecem para viver pelos outros, inocentando-se dos danos que juram e julgam não ter causado.
Assumindo que a vida se estende, entendo que fazemos o que queremos, pois somos conscientes das nossas fraquezas quando nos encontramos diante de ruas estreitas, calçadas escorregadias por chuvas diluvias e frios cortantes como espadas afiadas ao calor de fogueiras que tudo queimam largando cinzas que se escondem silenciosas, camuflando-se mas surgindo sem convite nem desejo.
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